Asma

Asma - Orientações

ORIENTAÇÕES PARA O PACIENTE E SEUS FAMILIARES

(A palavra asma deriva do grego ASTHMA que significa arquejante, sufocante)

  1. A Asma (ou bronquite alérgica, ou bronquite asmática) é uma doença das vias respiratórias.
  2. Existem muitos asmáticos em todo o mundo.
  3. A asma pode se manifestar em qualquer idade. Ela não é contagiosa, é uma alergia.
  4. Com o decorrer do tempo, as crises desaparecem na maioria das crianças; enquanto isto não acontece devemos prevenir as crises.
  5. Muitas pessoas têm asma por muitos anos, mesmo assim, podem e devem ter uma vida normal, pois asma tem controle.
  6. Na crise de asma as vias aéreas estão contraídas e a mucosa que as reveste está inflamada dificultando a passagem de ar.
  7. Os principais sintomas são: tosse, falta de ar, cansaço, sensação de “aperto” e “chiados” no peito.
  8. A asma pode ser causada por vários fatores. A alergia é a causa mais freqüente, como, por exemplo, alergia à poeira e ácaros, alergia a pêlos de animais, alergia a restos de insetos (baratas), alergia a mofo e alergia a pólen. Os ácaros são responsáveis por 90% de todas as manifestações de alergia respiratória no Brasil. A alergia respiratória acontece devido a um fator genético, ou seja, é hereditária, não sendo obrigatório que se manifeste sempre, podendo aparecer em gerações diferentes.
  9. Outras causas: infecções de vias aéreas (gripes e resfriados), drogas, como antiinflamatórios não hormonais, como o AAS (ácido acetil salicílico), fumaça de cigarro, irritantes de vias aéreas (cheiros fortes, fumaças, poluição), mudança de tempo, exercícios físicos, fatores emocionais, entre outros, podem funcionar como fatores capazes de desencadear uma crise no paciente que não está bem controlado.
  10. Quando a asma não está controlada, as crises aparecem com facilidade. Crianças ou adolescentes que têm tosse ou falta de ar ao realizarem exercícios podem ter asma induzida por exercício, a qual também precisa ser tratada.
  11. A asma é uma doença das vias respiratórias e, portanto, o tratamento com medicação pela via inalatória (bombinhas e nebulização) é o ideal, pois atua diretamente nas partes afetadas. O resultado é mais rápido, as doses são pequenas e os efeitos colaterais são menores.
  12. Os remédios contra a asma não causam dependência, mesmo se tomados constantemente e por muitos anos.
  13. Bombinhas não fazem mal ao coração, nem viciam.
  14. Existem bombinhas para atuar nas crises e outras para preveni-las (antiinflamatórios).
  15. Corticóide é o medicamento que melhor atua na inflamação dos brônquios e está sempre indicado nas crises fortes e graves.
  16. Todas medicações para asma só devem ser utilizadas sob orientação médica, pelo alergista, pneumologista ou médico clínico com experiência em alergia. Evite conselhos de vizinhos, balconistas de farmácias, etc.
  17. Nunca interromper o tratamento da alergia sem orientação, nem alterar as dosagens por contra própria.
  18. O erro mais comum é preocupar-se em tratar apenas a crise alérgica: O ideal é prevenir a alergia!
  19. O asmático pode e deve ter vida normal, pode pisar no chão, tomar sorvete, correr e brincar livremente!

Entendendo melhor a Asma (fisiopalogia, ou seja, mecanismo da doença de forma simplificada):

A Asma tem dois componentes que produzem os sintomas de tosse, falta de ar e cansaço.

  1. Broncoconstricção, que é o estrangulamento do músculo liso em torno do brônquio, causando seu estreitamento (ver a imagem esquerda).
  2. Inflamação, que é o edema (inchaço), irritação e produção de muco (secreção) no brônquio, causando também estreitamento do brônquio (ver a imagem esquerda).

O tratamento da Asma tem o objetivo de atuar nesses dois componentes (ver a imagem direita).

  1. O broncodilatador reduz o estrangulamento do músculo liso em torno do brônquio, abrindo assim as vias aéreas (ver a imagem direita).
  2. O corticóide reduz a inflamação do brônquio, abrindo ainda mais a via aérea (ver a imagem direita).

Controle da Asma.

tratamento da crise de Asma produz alívio imediato dos sintomas. Mas para que a Asma seja controlada, ou seja, a criança não apresente novas crises, ou a gravidade das crises seja reduzida, evitando assim, idas freqüentes a pronto-socorros e internações, é necessário que o tratamento preventivo seja realizado de forma individualizada pelo médico Alergista e ou Pneumologista Infantil.

Avaliação do controle da Asma:

Sinais de que a Asma está saindo do controle:

  1. Necessidade de usar a medicação de alívio, broncodilatador, com mais freqüência;
  2. O efeito da nebulização (inalação ou spray) é curto e os sintomas voltam;
  3. Não dormir bem ou já acordar pela manhã com chiados;
  4. Necessidade de acordar no meio da noite para fazer nebulização (broncodilatador);
  5. Dificuldade em cumprir as atividades diárias.

A resposta ao tratamento de qualquer doença varia de pessoa para pessoa, mas é certo que a Asma pode ser controlada e que o asmático pode ter uma vida absolutamente normal.

Com um tratamento apropriado, espera-se que:

  1. As crises possam ser controladas, evitando internações e necessidade de procurar pronto-socorros;
  2. O asmático possa dormir tranqüilo, sem sintomas, e acorde sem secreção pela manhã;
  3. Não seja necessário faltar às aulas, ou ao trabalho, por causa da sua alergia;
  4. Melhor qualidade de vida aos asmáticos, com pratica de atividades físicas, sem restrições.

A Asma, por se tratar de uma doença crônica, deve ter um plano de ação:

Plano de ação nada mais é do que o planejamento das medidas e medicações necessárias em cada situação que o paciente possa se encontrar. Deverá ser feito de comum acordo entre o médico e o paciente, mas é para uso do próprio asmático. Serve para ajudá-lo no uso das medicações, na escolha da conduta correta a tomar, quando surgem os sintomas, ou quando é o momento de procurar a emergência.

Ter um plano de ação é importante, porque torna o asmático mais independente para tomar atitudes, até que possa entrar em contato com o médico, podendo então controlar pequenas crises, evitando assim que piorem.

O plano de ação deve ser personalizado e deve incentivar que o paciente e seus familiares participem ativamente do tratamento de sua alergia.

Atenção! A cada consulta relate ao médico seus sintomas, se teve alguma reação aos medicamentos, como está se sentindo com relação a sua alergia. Tire suas dúvidas com seu médico alergista ou pneumologista para que o plano possa dar certo.

Fontes: 

Dra. Francisca Rosângela A. Castro 

Orientações da Pós Graduação em Alergia e Pneumologia Pediátrica do Hospital Felício Rocho, sob orientação do Dr. Wilson Rocha Filho e da    Associação Brasileira de Asmáticos de SP.