Rinite

Rinite - Orientações

ORIENTAÇÕES PARA O PACIENTE E SEUS FAMILIARES

O nariz cumpre funções importantes: respiração, olfação, ressonância da voz e estética. O ar respirado que entra no organismo através das narinas é em geral, frio e seco, contendo impurezas e germes. Na cavidade nasal é onde começa o processo da respiração, o ar será aquecido, umedecido e limpo, proporcionando melhores condições para que a respiração pulmonar se realize adequadamente.

Os principais sintomas nasais, como obstrução, espirros e coriza, representam formas de proteção do organismo na tentativa de impedir que impurezas alcancem as vias pulmonares. Qualquer pessoa em condições normais, mesmo que naqueles que não têm alergia, poderá apresentar congestão nasal para impedir a penetração de elementos nocivos, coriza para lavar e expelir substâncias estranhas, ou espirros para a remoção mecânica desses elementos. Trata-se de um mecanismo fisiológico e por isso, esses sintomas podem ocorrer em determinados momentos, como por exemplo, num resfriado ou gripe, não necessariamente em quem tem alergia.

Na alergia ocorre um exagero dessas reações fisiológicas, surgindo uma sensibilidade específica para alguns estímulos, que não provocam doença nas pessoas não-alérgicas. O exemplo clássico é o ácaro da poeira de casa, que pode provocar sintomas para alguns, aqueles que têm alergia, sem causar danos para outros.

Rinite Alérgica é a forma mais comum entre as rinites, sua principal causa é alergia ao ácaro. Outros alérgenos são: excrementos e restos de barata, contidos na poeira de casa, mofo, pêlos de animais e alguns tipos de pólens na região sul do Brasil.

Os ácaros provocam alergia através de suas bolotas fecais, que se depositam nos carpetes, estantes de livros, cortinas e principalmente em travesseiros e colchões. Um só ácaro pode produzir 30 bolotas fecais por dia e em uma cama podem ser encontradas milhares dessas bolotas. Por isso é tão importante cuidar do quarto da pessoa alérgica.

Sintomas clássicos da Rinite:

  1. Espirros repetidos em seqüência;
  2. Coriza líquida, em geral, abundante;
  3. Coceira no nariz, nos olhos, (sintomas de conjuntivite alérgica), nos ouvidos, no céu da boca e na garganta;
  4. Mucosa nasal congestionada e narinas obstruídas;
  5. Olhos avermelhados, irritados, lacrimejando e coçando;
  6. Escorrimento de secreção pela parte de trás do nariz (gotejamento posterior), provocando pigarro e tosse;
  7. Alteração do olfato ou paladar.

Os sintomas da Rinite Alérgica podem surgir minutos após a inalação da substância que provoca a alergia. Isso se deve a uma reação imunológica entre a substância causadora da alergia (chamada antígeno) e a defesa do organismo (chamada anticorpo), provocando a liberação de substâncias químicas por determinadas células, levando a inflamação da mucosa nasal. A repetição do processo alérgico leva a uma inflamação crônica que permanece mesmo quando a pessoa não está em crise. Os sintomas da Rinite podem assemelhar-se aos de um resfriado comum, conforme dito anteriormente, podendo passar despercebidos pelo paciente ou familiares. Infelizmente quando isso acontece, a repetição das crises sem tratamento adequado, pode acarretar complicações e afetar a qualidade de vida da pessoa na escola ou trabalho, durante o sono ou mesmo no convívio social. Pode se afirmar que a Rinite não mata, mas maltrata!!

O tratamento da Rinite Alérgica não significa apenas dar alívio imediato dos sintomas, mas trabalhar para que a pessoa volte a ter uma vida normal, corrigindo as conseqüências da alergia. É como uma torneira pingando: não basta enxugar o chão molhado, é preciso consertar o defeito da torneira! Como a Conjuntivite Alérgica está muito associada à Rinite Alérgica é importante tratar ambas: Rinite e Conjuntivite. E se houver dermatite periocular associada, o paciente deverá ser visto pelos especialistas da alergia, da oftalmologia e/ou da dermatologia.

primeiro passo é procurar a causa da Rinite (existem outras causa de rinite não Alérgicas, como causas infecciosas, medicamentosas, por irritantes do aparelho respiratório, ocupacionais, emocionais, gustativas, hormonais, por corpos estranhos) e após descobrir a causa, se possível, afastá-la. Esse é o tratamento ideal e muitas vezes, é suficiente.

Como nem sempre é possível o afastamento ideal, como no caso da poeira domiciliar, procede-se ao segundo passo: tratamento medicamentoso para reduzir a inflamação da mucosa nasal e controlar os sintomas da alergia.

Finalmente, o terceiro passo, é a imunoterapia, ou seja, o uso de vacinas contra o alérgeno específico. Popularmente conhecidas como vacinas para alergia, é um tratamento muito eficaz, pois induz a diminuição da sensibilização aos agentes inalantes provocadores das crises. Devem ser preparadas pelo alergista, de acordo com o resultado do teste alérgico, usando material (extrato) padronizado de confiança e de maneira individualizada, para cada paciente. O uso das vacinas é demorado (de 3 a 5 cinco anos, média de 2 anos), porém, permite um controle mais adequado da Rinite Alérgica. A indicação de imunoterapia deve ser mais criteriosa ainda em crianças.

A maioria das crianças adquire o controle da Rinite com tratamentos antiinflamatórios tópicos intranasais e o controle adequado do ambiente, quando indicado. Quanto mais se consegue melhorar o ambiente doméstico onde vive o alérgico, melhores os resultados, menos remédios, menos vacinas!

Fonte:

 Dra. Francisca Rosângela A. Castro

Associação Brasileira de Asmáticos